Relato de um homem que ficou 70 dias deitado em uma cama pela Ciência

A NASA pagou a Andrew Iwanicki U$18 mil para fazer parte de um estudo

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A NASA pagou para Andrew Iwanicki ficar durante 70 dias deitado. A intenção do estudo da agencia espacial é monitorar o corpo do escolhido para a função. Ficar deitado em descanso causa alterações no corpo semelhantes às que ocorrem durante as longas viagens sem gravidade no espaço. Esse estudo ajudará os pesquisadores a notarem de que maneira o corpo dos astronautas muda em situações de gravidade. O homem ficou deitado durante 70 dias, com os pés ligeiramente acima da cabeça – menos seis graus.

Leia o relato de Andrew Iwanicki após o fim da experiência:

“Acordei no dia 2 de dezembro e, pela primeira vez em 70 dias, me levantei. Ou, pelo menos, tentei. Os enfermeiros me levaram para uma cama de hospital que seria inclinada verticalmente, com medidores de pressão em volta do meu braço e meu dedo, além de uma máquina de ultrassom apontada para o meu coração. Aí eles me disseram, no mesmo tom em que você incentiva um bebê aprendendo a andar, para tentar ficar de pé por 15 minutos.

Assim que a cama foi levantada na posição vertical, minhas pernas pareceram mais pesadas que nunca. Meu coração começou a bater a 150 BPMs. Minha pele começou a coçar, fiquei coberto de suor. A pressão sanguínea começou a aumentar nas minhas pernas, expandindo as veias que tinham se tornado incrivelmente elásticas com os últimos meses deitado. Senti que ia desmaiar. Eu estava lutando para continuar em pé desde o começo, mas foi ficando cada vez mais difícil. Por volta dos oito minutos, meu pulso caiu de 150 para 70. Meu corpo estava prestes a ceder. Quando minha visão começou a escurecer, a equipe viu meus números caindo nas máquinas e rapidamente retornou a cama à posição horizontal. Só depois eles me disseram que nenhum dos participantes do experimento da NASA tinha conseguido ficar em pé os quinze minutos.

Não fiquei surpreso que meu corpo tenha agindo assim, claro. Depois de passar 70 dias inclinado num ângulo de seis graus negativos, eu tinha perdido 20% do meu volume sanguíneo total. O teste de ficar em pé simulava os efeitos do sistema cardiovascular dos astronautas durante a reentrada da espaçonave na Terra ou em Marte. Entretanto, isso era fácil de esquecer, porque a maior parte do estudo da NASA, apesar das minhas expectativas, foi meio chata.

Da última vez que escrevi sobre minhas experiências no estudo, eu ainda estava na fase de lua de mel – havia um desfile de pesquisadores me cutucando e examinando, claro, porém esse também foi um dos momentos mais relaxantes da minha vida adulta. Por anos, estive sempre correndo: estudando para as provas da faculdade, tentando me destacar no trabalho e cumprindo minhas obrigações sociais durante as brechas que encontrava. Tudo isso se foi de repente. Além de seguir o protocolo do programa, eu não tinha mais nenhuma responsabilidade. Eu era livre para fazer o que quisesse – menos levantar da minha cama, comer porcarias ou tirar uma soneca. Em alguns dias, eu lia de manhã até a noite. Em outros, eu passava várias horas no telefone com meus amigos e familiares. Passei muito tempo brincando com meus times de fantasy football e jogando StarCraft II. Às vezes, eu simplesmente ficava lá deitado, refletindo sobre o passado, planejando o futuro ou aproveitando um momento sossegado. Eu realmente gostava dessas oportunidades oferecidas pelo meu estado de isolamento. Só que, eventualmente, a novidade perdeu a graça.

As oito semanas seguintes na cama foram muito diferentes do começo do experimento. Embora os dias fossem pontuados por refeições regulares, exercícios, leitura de sinais vitais e testes intermitentes, a maior parte do meu tempo era vazio. Mesmo os testes se tornaram incrivelmente monótonos: geralmente, me pediam para ficar completamente parado enquanto dados eram coletados. Uma máquina de ressonância magnética media o crescimento e a decadência dos meus músculos. Um raio-X verificava minha densidade óssea. Uma bolha plástica capturava meu consumo de ar. Eu ficava sozinho por longos períodos, apenas com meus pensamentos e uma vista para o teto de espuma.
Na quarta semana, senti uma mudança psicológica significativa. Me acostumei com meu estado isolado antissocial. Comecei a escrever menos e-mails para os amigos. As conversas com os funcionários se tornaram mais curtas, mais práticas. As ligações para minha família se tornaram menos frequentes. Eu não tinha nada para compartilhar.

"Oi, Drew! O que você anda fazendo?"
"Nada. Continuo deitado..."

Isso não quer dizer que meus dias eram completamente sem alegria. Eu ainda estava cagando numa comadre, afinal de contas. Eu ainda experimentava momentos de medo e ansiedade. Eu tinha certeza de que estava à beira de uma crise nervosa – como é possível conseguir passar suavemente por dez semanas deitado numa cama?

A ansiedade mais intensa que senti nessa época veio da visita iminente da minha namorada. Eu estava totalmente consciente do meu estado mental estranho e tinha certeza de que não parecia muito bem, apesar de não olhar num espelho há mais de um mês. Como seria essa visita se eu nem podia ficar em pé para recebê-la? Como eu conseguiria manter uma conversa depois de tantas horas de solidão? Como ela reagiria ao me ver em frangalhos: desconectado, vulnerável e dependente? Lágrimas eram inevitáveis, e eu nem poderia confortá-la da maneira que deveria.

Assim que entrou no quarto, ela pulou na cama para me abraçar e beijar. O momento de euforia foi imediatamente interrompido quando uma enfermeira se apressou para informar que ela não podia ficar na cama em nenhum momento. Na verdade, ela nem podia tocar na cama por "razões de segurança". Estávamos esperando por aquele momento há mais de dois meses, e era assim que tinha de ser.

Ela sentou numa cadeira ao meu lado enquanto conversamos por três dias. Contato físico era limitado. Não podíamos explorar a cidade juntos. Não podíamos nem compartilhar uma refeição, já que os convidados não podiam trazer comida de fora para a unidade. Quando as luzes se apagavam, ela dirigia de volta para o seu hotel e dormia sozinha. Foi uma provocação cruel que nos lembrou o que estávamos perdendo. Isso me tirou do meu estado meditativo e acordou meu desejo pela minha antiga vida fora do hospital.
Essa foi a última experiência realmente pessoal que tive por mais dois meses.

As semanas seguintes seguiram com poucos detalhes dignos de nota. Os dias se misturavam numa coisa só. Tentei evitar contar o tempo que faltava; em vez disso, eu media a estada pela minha sensibilidade crescente às pequenas frustrações diárias que iam lentamente corroendo minha mente. Por que eu tinha de beber água de um copo, mesmo estando num ângulo onde isso fazia a água cair no meu rosto e peito? Por que eles serviam sopa em tigelas rasas? Por que eles estavam servindo sopa para pessoas que estavam na cama? Alguém nessa equipe sabia como era ficar preso numa cama?

Depois da quinta vez que me serviram um filé de peixe molenga de micro-ondas, finalmente perguntei se podia comer outra coisa – qualquer coisa. Durante a orientação, a equipe assegurou que faria o melhor para agradar nossos gostos individuais, mas a resposta do nutricionista foi uma simples desculpa simpática e a explicação de que eles deviam manter a dieta dos participantes consistente. Perguntei se eu podia substituir o cereal seco pelo mingau de aveia que eles serviam às vezes no café da manhã. Novamente, a resposta foi não. Minha maior vitória foi a adição de um sachê de pimenta-do-reino em cada refeição.
Por volta da sétima semana, os outros dois participantes do CFT 70 terminaram sua parte no estudo. Os parabenizei quando eles estavam saindo, embora, considerando quão isolado estávamos, quase não notasse a diferença depois que eles se foram. Sem eles, eu era o último homem deitado e a única cobaia da ala do hospital.

Na reta final, me obriguei a pensar em tudo que eu tinha ganhado nos últimos 70 dias. Eu tinha lido milhares de páginas. Eu meditava regularmente. Eu estava redescobrindo meu amor por videogames e arrasando no fantasy football. E eu estava depositando muito dinheiro na minha conta – quase US$ 18 mil quando tudo estivesse terminado.

Então, no final daquelas dez semanas, me vi me sentindo bem-humorado e saudável – até o último dia do estudo, quando eles me colocaram de pé e me pediram para aguentar.
Fiquei na horizontal até o dia seguinte. Naquela manhã, fui amarrado numa maca, colocado na traseira de uma van e levado para o Centro Espacial Johnson para a primeira de quatro rodadas de testes. Quando passei de cadeira de rodas pelas portas de vidro do hospital, a luz do sol tocou minha pele pela primeira vez em mais de dois meses. Essa foi a primeira vez que dei uma boa olhada no céu ou em qualquer outra coisa que não fosse as paredes brancas do hospital – e eu não conseguia tirar o sorriso da cara. Minha privação renovou meu apreço pelos pequenos prazeres do mundo.

Realizei a mesma sequência de testes que tinha feito antes do começo da temporada deitado: correr por labirintos, pular de plataformas, executar tarefas de coordenação entre olhos e mãos, testar meu equilíbrio, medir a força das minhas pernas e braços. E, sim, o teste de contração muscular, também conhecido como "Vamos passar uma caralhada de eletricidade pela sua perna". No entanto, a ansiedade que eu sentia antes de ficar deitado por 70 dias foi substituída por antecipação. A linha de chegada estava à vista, e cada choque elétrico me deixava mais perto da liberdade. Faltavam apenas duas semanas para completar minha estada de 108 dias.

Me levaram de cadeira de rodas para a instalação de testes, onde fui recebido por muitos rostos familiares e desconhecidos. Vários membros da equipe tinham decidido assistir ao participante final do projeto CFT 70 dar seus primeiros passos. Eu estava empolgado, mas imagino que alguns deles estavam ainda mais. Esse projeto tinha consumido os últimos três meses da minha vida, embora fosse o principal foco do trabalho deles há quatro anos. Era um momento importante para todos.

Com um membro da equipe de cada lado e uma plateia à minha frente, me sentei na maca e pisei no chão. Meus pés formigaram como se estivessem dormentes. Minhas pernas pareciam fortes, mas meu equilíbrio estava fraco. Meus primeiros passos foram lentos e curtos, eu arrastava meus pés no chão e chutava meus tornozelos. Minha habilidade de coordenação tinha enferrujado. Eu sentia uma dor aguda nos tornozelos e pés enquanto fazia circuito de obstáculos; com certeza, não conseguia andar numa linha reta, mas completei o teste sem grandes problemas.

Depois de alguns dias de caminhadas casuais e exercícios de coordenação, meu equilíbrio voltou e comecei a recuperar minha resistência. No final das duas semanas do período pós-cama, eu me sentia 95% fisicamente normal. Eu estava pronto para partir.
No 108º dia, fiz minhas malas enquanto fantasiava com tudo que me esperava do lado de fora do hospital: no caminho para o aeroporto, eu ia comer um burrito de café da manhã, talvez até tomar um Bloody Mary. Eu estava muito perto de comidas deliciosas, bebida abundante, do sol e da minha namorada.

Me despedi da equipe e lhes agradeci muito. Apesar das minhas reclamações, os funcionários eram pessoas de bom coração que tinham planejado e executado um feito incrível. Apreciei muito o foco, o trabalho duro e o apoio deles.

Com US$ 18 mil acrescentados à minha conta bancária, um calendário livre e nenhum protocolo para seguir além das leis federais e estaduais, me senti melhor do que nunca. Eu não tinha arrependimentos. Assim, enquanto bebia um Bloody Mary muito caro no terminal do aeroporto, me vi procurando por novos estudos de pesquisa. Tinha esse em que eles infectariam os participantes com uma nova cepa de gripe, pagando US$ 4 mil por dez dias... quem disse que não posso fazer tudo de novo?”

Perfis de Andrew: twitter e instagram
Fonte informação: via

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